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O caminhão de gols da Atalanta

O mundo do futebol tem se assustado com os feitos da Atalanta na temporada 2019/2020. Marcante por ser time ofensivo e agressivo, que não se intimida contra nenhum adversário, a equipe treinada por Gian Piero Gasperini é disparado o melhor ataque da Série A, com 93 gols marcados.

Para se ter uma ideia, em 42 jogos feitos na temporada, a Atalanta venceu um total de 25. No entanto, em 10 deles, venceu por três ou mais gols de diferença.

Mas o que explica esse caminhão de gols? Vamos pontuar algumas características da equipe de Bérgamo:

Intensidade e agressividade

Independente do sistema tático usado, o grande pilar da Atalanta é agressividade que usa tanto para marcar quanto para atacar. Trata-se de um time que gosta da posse de bola, mas que tende a concluir suas jogadas o mais rápido possível. E isso está muito ligado à forma que a posse é recuperada.

A ordem é… Perdeu? Pressiona! E imediatamente. Não que se trate de uma exclusividade da equipe de Gasperini, já que muitos times pelo mundo fazem isso também de maneira muito consistente, mas a Atalanta desenvolveu isso de uma forma muito forte nos últimos anos, e dá para arriscar dizer que isso passou a ser a alma da equipe.

Por conta dessa rapidez para recuperar a posse, a equipe passou a recuperar a bola muito perto do gol adversário, ou seja, tendo a possibilidade de acelerar a jogada e pegar o oponente desarrumado.

Essa questão da intensidade também é bastante nítida pelo fato de o seu treinador usar a marcação por encaixes individuais. O famoso “cada um pega o seu”. Esse sistema, muito comum até os anos 90, foi perdendo forma em nível mundial, dando espaço para a marcação mais por zona, onde os jogadores cuidam de espaços e não de um jogador rival em si. Mas até nisso, a Atalanta teima em quebrar paradigmas.

A unidade, sem estrelas

Papu é o jogador mais técnico da Atalanta

A Atalanta é um time de poucas referências técnicas. Não tem nenhum jogador de classe mundial. Mas tem uma engrenagem que eleva o nível de todos que lá se encontram. O que faz o trabalho de Gasperini ser ainda mais importante nos últimos anos.

Papu Goméz, meia-atacante argentino é o cara com mais recurso técnico da equipe. Baixinho e muito ágil, ele tem liberdade para se movimentar por todo o campo. Cai pelos lados, entra na área para finalizar, arma o time e por vezes até recua para buscar a bola de volantes e zagueiros. Sua inteligência para explorar espaços e dosar o ritmo da equipe é preponderante para o sucesso da Atalanta.

Outro jogador tecnicamente acima dos outros é Ilic. O sérvio, daqueles grandalhões sem grande velocidade, tem uma grande capacidade de conclusão. Mais que isso, gera lances importantes aos seus companheiros.

Os três zagueiros também têm papel importante na mecânica da equipe. Todos eles são estimulados a saírem com a bola e, por vezes, até avançar com ela para ajudar na criação. Então, não se surpreenda se ver Rafael Tolói, Caldara ou Palomino se atirando ao ataque.

O sistema, aliás, varia do 3-4-3 para o 3-4-1-2, mas fato é: Gasperini não abre mão dos três defensores por nada.

Trabalho de mercado e perfil dos jogadores

A Atalanta é um time físico e cheio de grandalhões

Outro processo importante na montagem dessa Atalanta está na criatividade e assertividade da sua gestão nos movimentos de mercado. Mesmo perdendo jogadores importantes nas últimas temporadas, como Kessié e Andrea Conti, por exemplo, as reposições têm sido feitas com mita eficiência.

Normalmente a busca tem sido em mercados mais periféricos como em países nórdicos. Paga-se menos, termina-se de formar e, além do resultado esportivo, anos depois, ainda vem o ganho financeiro, vencendo atletas por valores altos. Outros jogadores que normalmente chegar a Bérgamo, são os que chegaram a grandes clubes mas, por uma razão ou outra, não decolaram. Num contexto organizado, voltam a jogar bem e ajudam esportivamente o clube.

Mas um ponto semelhante não foge à risca do perfil de atleta que a Atalanta tem buscado: jogadores físicos e de grande resistência. Além de normalmente caras de muita estatura, o sistema de Gasperini exige muito do impacto físico, seja para duelas nas marcações individuais, ou mesmo para repetir movimentos em alta intensidade, várias vezes ao longo do jogo, o que exige uma grande capacidade de resistência.

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